Olá acadêmicos de Qualidade e Produtividade.
Vocês já podem baixar aqui o arquivo com o tema do trabalho do 2º bimestre.
Bons estudos!
Olá acadêmicos de Qualidade e Produtividade.
Vocês já podem baixar aqui o arquivo com o tema do trabalho do 2º bimestre.
Bons estudos!
Revendo uma entrevista do prof. Mario Cortella, que é filósofo e consultor de empresas na área de RH, ele nos dá uma ótima noção do que é o filósofo.
Entre tantas citações ele diz: “Ser filósofo é ir além do óbvio” e isso para mim é forte no sentido da relevância que existe entre ser administrador / empreendedor que busca o sucesso de seu empreendimento, justamente por ir além do óbvio, por inovar, por pensar diferente dos demais e, por isso, enxergar oportunidades onde os demais enxergam a mesmice.
Além disso, ele cita, que “não nascemos prontos” que vamos melhorando a medida que crescemos. Novamente a filosofia encontra a administração quando olhamos para o prisma da qualidade que tem como base o melhoramento contínuo, isto é, nada está suficientemente bom que não possa ser melhorado.
São 2 vídeos que vocês podem ver abaixo. Divirtam-se!
Caros acadêmicos investidores,
Iniciaremos nosso assunto sobre o funcionamento do mercado de capitais com base no material que vocês já podem baixar (baixe aqui). São temas importantes para compreendermos a dinâmica dos agentes financeiros e dos negócios realizados em bolsa de valores.
Bons estudos!
Caros empreendedores,
Segue o material sobre técnicas de venda (baixe aqui) para conversarmos em sala.
Caros gestores da qualidade.
Vocês já podem baixar o conteúdo das aulas de Controle Estatístico de Processo (clique aqui) que resume o que conversamos em sala de aula.
Bons estudos.
Olá turma de Estágio 1.
O tema do trabalho do 2º bimestre já pode ser baixado (clique aqui) e seu desenvolvimento deverá ser com base na pesquisa Retrato de Curitiba e Região Metropolitada realizado pela Gazeta do Povo ((link para a pesquisa aqui). Além dessa pesquisa vocês podem enriquecer com mais dados que podem ser obtidos em vários locais, como IPUC, IAP, IBAMA, Associação Comercial, FIEP, etc.
Bom trabalho.
Uma coisa é certa: Curitiba mudou e mudará ainda mais, espraiando-se pelo primeiro planalto curitibano. A cidade se transforma constantemente, junto com a sua imagem e sua gente
28/03/2009 | 00:07 | Paulo Chiesa
Como metrópole, falta-lhe a consciência plena desse fato. Resulta disso a dificuldade para se capturar um retrato sobre uma realidade tão ampla e dinâmica. A opinião de moradores, nativos ou não, da capital e dos municípios vizinhos, reitera o problema. Os que na região habitam já se dividem entre aqueles que aqui nasceram ou que para cá migraram – suas gerações tecem novas histórias e relacionamentos. Traços provincianos convivem com distintas formas de ver e perceber o que representa viver a e na cidade. É interessante que a identidade das pessoas se referencie nos seus espaços, sinal de que é possível alguma urbanidade nos trópicos. Orgulho local, a paisagem curitibana é fruto tanto de uma grande dose de espontaneidade como de ações planejadas, que sistematicamente a vem modificando. Comparada a outras cidades brasileiras de seu porte e importância, Curitiba apresenta-se mais limpa, segura e promissora em oportunidade de empregos e serviços. Na busca de referências, chega a ser modelo no planejamento dos sistemas de transporte, equipamentos sociais e espaços livres, públicos e privados.
Nos serviços públicos, a educação é melhor avaliada do que o atendimento à saúde. Enquanto o transporte coletivo decai em qualidade e eficiência, um crescente número de veículos particulares congestiona ruas e avenidas. Engarrafamentos, atropelamentos e estresse diário (somados à péssima educação no trânsito) tumultuam motoristas e pedestres. Faltam alternativas integradas, tanto no plano técnico como no político e no comportamental, propiciando novas modalidades para se mover e usufruir a cidade. Criar e melhorar passeios e espaços de convívio social são tarefas urgentes e de todos. Além disso, muitos já temem por andar descontraídos a qualquer hora, em qualquer lugar. A insegurança tornou-se um recorrente aspecto do cotidiano, manifestando-se através da disseminação da violência urbana e do consumo de drogas; percebidos não mais apenas nas periferias, mas também em bairros centrais. Mais realistas e zelosos, os habitantes atuais comparam Curitiba com outras cidades e as de origem. Apesar disso, reafirmam o acerto de terem-na escolhido para viver. Otimistas e descrentes se dividem em relação ao futuro. Não há certeza de solução para os atuais e futuros problemas; com razão, teme-se que o aumento da população e o descontrole sobre a urbanização acelerada ampliem sua escala e intensidade. A miséria daqui também não sorri, e a cada dia se faz mais presente. Mendigos, favelas e poluição são apontados como estorvos cada vez mais palpáveis. Contudo, poluição, inundações, desigualdade e exclusão sócioambiental não comparecem na pesquisa; evidenciando a falta de uma maior consciência sobre o território como um todo e de formas adequadas de ocupá-lo. E, isso que, a industrialização daqui nem se deu aos moldes do que ocorreu em outras metrópoles brasileiras.
Concluindo, o desafio é aprender a conviver na crescente heterogeneidade e complexidade sócioespacial metropolitana. Para isso, tem-se de avançar na participação e na co-responsabilidade entre Estado e Sociedade, em todos os níveis de atuação. Não há outro caminho. As soluções emergirão do debate e do compromisso forjado entre todos em relação a desígnios efetivamente compartilhados e negociados. Cobra-se dos curitibanos, portanto, outra mentalidade e escala de abordagem – a regional e a metropolitana. Afinal, cidadania nunca fez mal a ninguém.
Paulo Chiesa, arquiteto, professor da UFPR e secretário de urbanismo de São José dos Pinhais.
Entrevista com Beto Richa, prefeito de Curitiba
28/03/2009 | 00:09 | Flávia Alves
Natural de Londrina, o prefeito Beto Richa faz parte da maioria da população que não nasceu curitibana, mas que adotou a cidade como lar. Em seu segundo mandato, ele repercute os números da pesquisa e o retrato que ela traça dos moradores da Grande Curitiba.
A pesquisa mostra que a Grande Curitiba é formada por pessoas que nasceram na cidade e que vieram de outras regiões. Como transformar isso em uma identidade própria?
Betro Richa - Curitiba já caminha para uma identidade consolidada, pois esta mistura começou a ser formada há algum tempo. É uma mistura positiva que tem um certo conservadorismo e tradicionalismo, mas sem receio ou preconceito de buscar a vanguarda ou a modernidade. O que acontece é que esta busca se dá de forma criteriosa, com uma exigência grande de qualidade. O curitibano não busca a inovação pela inovação, mas ações e projetos que realmente tenham qualidade para trazer melhorias.
A pesquisa mostra que 83% dos moradores sentem orgulho da cidade. No entanto, 54% acreditam que Curitiba vai continuar sendo uma boa cidade para se viver e 49% creem que ela vá resolver seus problemas. Isso mostra que a cidade está dividida quanto ao futuro. Como o senhor analisa estes números?
A pesquisa mostra que o orgulho dos curitibanos pela cidade continua em alta, que eles valorizam sua cidade, isso é um ótimo sinal, pois retrata o presente. Quanto às expectativas futuras, creio que os números refletem um pouco o conservadorismo curitibano e o cenário duvidoso nos planos nacional e global. O crescimento de Curitiba é inevitável e para que uma cidade cresça com organização, qualidade de vida e bons serviços, é fundamental a participação da população. Curitiba vai continuar sendo uma boa cidade e conseguirá resolver seus problemas à medida que a população mantenha o apreço, pois assim ela faz sua parte e colabora para que as coisas aconteçam.
Entre os entrevistados, 69% afirmaram que Curitiba está pagando alto pelo crescimento e que a qualidade de vida está caindo. É possível evitar essa tendência? Quais são os desafios de Curitiba e de que forma pretende enfrentá-los?
Por conta de seu desenvolvimento e de sua qualidade de vida, Curitiba teve um crescimento rápido nas últimas décadas, além do que se esperava. Por isso, alguns dos serviços e ações da cidade não cresceram de forma a atender este crescimento. Mas estamos trabalhando para reverter este quadro, um desafio que é possível. Queremos melhorar ainda mais, para que mantenhamos o desenvolvimento de forma sustentável e com boa qualidade de vida. A Prefeitura vai enfrentar os desafios e vai superá-los, com uma administração ousada e moderna, ao mesmo tempo austera, baseada em um contrato de gestão assinado pelos secretários municipais com metas definidas para cada área.
Um total de 82% dos entrevistados acham que a violência está crescendo muito e não é mais um problema isolado em alguns bairros, 69% têm medo de andar nas ruas e medo de ser assaltado. No entanto, 21% já foram assaltados e 19% furtados. Como explicar essa sensação de insegurança? Apesar de a segurança não ser de competência municipal, de que forma a administração municipal pode enfrentar o problema?
Falta de segurança não é um problema municipal, mas sim um problema nacional em todos os países em desenvolvimento. A administração municipal está fazendo sua parte. Contratamos 538 guardas municipais em quatro anos. Fizemos um concurso no fim do ano passado e teremos em breve mais 200 novos guardas no efetivo. Adquirimos novos equipamentos para os guardas e fazemos treinamento constantemente. Criamos a ciclo-patrulha para atender parques e ciclovias, a Guarda do Centro e o Serviço de Proteção ao Transporte Coletivo.
Inauguramos quatro novos Postos Avançados da Defesa Social, dois novos Núcleos Regionais da Defesa Social e quatro novos Núcleos de Proteção ao Cidadão. Instalamos 33 novas câmeras de segurança, no centro, no setor histórico e no Parque Barigui.
Criamos a Secretaria Antidrogas, com ações de prevenção e com a formação de uma rede de colaboração envolvendo municípios da região metropolitana. Implantamos o Programa Bola Cheia, que leva esporte em escolas do município, nos horários em que eles são atraídos para a convivência com o uso e tráfico de drogas.
Este trabalho vai continuar. Vamos implantar o policiamento comunitário por meio da Guarda Municipal. Vamos instalar centrais de monitoramento para operação em convênio com o Estado (Polícia Militar), para atender às ruas com grande volume de comércio e áreas conflagradas.
Vamos capacitar síndicos, porteiros, seguranças e funcionários de condomínios sobre procedimentos de segurança e fazer ações sociopreventivas nos bairros de maior índice de óbitos por causas externas. Vamos lançar o Programa Poty, ofertando aos jovens conhecimentos em web design e orientação para cidadania, para que possam desenvolver suas habilidades artísticas e ao mesmo tempo estabelecer novos padrões de sociabilidade, realização, valorização pessoal e geração de renda, para prevenção da criminalidade infanto-juvenil, principalmente na pichação e depredação do patrimônio público.
Mas é um problema que não depende somente do município. Para melhorar a segurança, é preciso uma grande reformulação na política de segurança dos governos federal e estadual.
Para os entrevistados, entre as piores perspectivas estão o trânsito, a ocupação irregular e a questão ambiental. Como o senhor avalia esta percepção dos moradores? Como resolver esses problemas?
São três questões que identificamos no início da gestão e para as quais temos trabalhado muito. Em habitação, na primeira gestão fizemos o maior programa em mais de 20 anos, com uma política de melhoria geral da qualidade de vida (outras áreas incluídas) e ambiental (preservação de rios), com atendimento de 30 mil famílias e investimentos de R$ 428 milhões. Este trabalho será ampliado. Vamos aumentar o atendimento na área habitacional para 40 mil famílias nos próximos quatro anos.
Lançamos o projeto EcoCidadão, já com quatro parques de recepção de recicláveis para organizar o trabalho dos catadores de papel. Vamos implantar mais 21 desses parques. Vamos implantar o Parque Linear do Cajuru na bacia do Rio Atuba e dar continuidade à implantação do Parque Linear do Rio Belém.
Quanto ao lixo, para promover o máximo aproveitamento dos resíduos e reduzir a destinação em aterro sanitário, Curitiba junto com os demais integrantes do Consórcio Intermunicipal, desenvolveu o projeto Sistema Integrado de Processamento e Aproveitamento de Resíduos (Sipar), que será implantado como alternativa para o tratamento dos resíduos sólidos domiciliares, em substituição ao aterro sanitário da Caximba. O novo projeto não prevê um aterro, mas sim uma indústria de transformação, que irá gerar empregos e aproveitará 85% dos resíduos destinados atualmente ao aterro.
Quanto ao trânsito, esta é uma questão com relação direta com o transporte coletivo. É nisso que estamos focando a atuação. Trabalhamos para incentivar o uso do transporte coletivo, com a redução da tarifa em 2005, seguida de um congelamento da mesma por um longo período, e a implantação da tarifa domingueira a R$ 1.
Também fazemos a renovação contínua da frota. Desde 2005, 854 ônibus antigos foram substituídos por novos. Com mais 324 novos veículos previstos para este ano, a renovação total será de 1.178, o que representa 62% da frota total (1.906 ônibus). A frota também vai ficar maior: 152 ônibus zero-quilômetro serão adquiridos até o fim deste ano para aumentar o tamanho da frota. Os ônibus criarão uma oferta diária adicional de 184 mil lugares.
Estamos criando o sexto corredor de transporte na Linha Verde, que terá sua segunda fase executada nos próximos anos. Vamos criar os novos ônibus Ligeirão Norte – Sul e Ligeirão Leste – Oeste. Vamos implantar a ligação entre os terminais Capão da Imbuia e Cabral, dando seqüência à ligação entre os terminais do Hauer e Capão da Imbuia já implantada.
Vamos também iniciar a implantação de 22 km do Metrô Curitibano no eixo Norte e Sul, trecho Santa Cândida/CIC Sul.
Estas ações pontuais no trânsito vão continuar. Vamos implantar o Sistema Integrado de Mobilidade, o SIM, para proporcionar mais eficiência, fluidez e segurança no trânsito de Curitiba, implantando um moderno sistema integrado de gestão da mobilidade urbana para gerenciar a circulação de veículos. A implantação deste conjunto de medidas trará potencial impacto de melhoria no trânsito de 10 a 40%, dependendo das condições da via em questão.
Também vamos ampliar a malha de ciclovias da cidade e implantar ciclofaixas. Com o novo Plano Intermodal, o atual trilho de trem será transformado em uma Rede Metropolitana de Ciclovias.
Futuro da cidade causa insegurança nos moradores da Grande Curitiba, mas maioria acha que cidade continuará sendo um bom lugar para se viver
28/03/2009 | 00:13 | Flávia Alves
Medo do trânsito, do crescimento desordenado e da violência. Esse é o sentimento que os moradores da Grande Curitiba têm em relação ao futuro. Mesmo assim, a maioria acha que a cidade continuará sendo um bom lugar para se viver – é a esperança de 54% dos entrevistados.
De acordo com a pesquisa, o ponto que mais incomoda é o trânsito. Entre os mais de 3,7 mil entrevistados, 69% acreditam que o trânsito da capital vai piorar ainda mais. Para Luciana Veiga, cientista política e professora do departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a questão aparece com destaque em razão da centralidade que o tema ganhou nos debates políticos. “Se falou muito disso nas últimas eleições municipais. E mais que um problema pontual, de mais carros e engarrafamentos nas ruas, o trânsito acaba interferindo em outros aspectos do cotidiano, como na qualidade de vida. Ele repercute no dia-a-dia de cada um, já que as pessoas passam a ter menos tempo para a família, têm de acordar mais cedo para não se atrasar. Por isso tem tanta importância”, justifica.
Vários cenários, perspectivas opostas
Se na primeira pesquisa da Gazeta o desemprego era um dos fatores de preocupação do morador de Curitiba – 77% dos entrevistados achavam que o número de desempregados iria aumentar –, na realizada em 2008, o quadro é completamente diferente. Entre as pessoas consultadas, 58% afirmaram que o desemprego está caindo na cidade. “Não podemos ignorar o fato de que a pesquisa foi realizada antes de a crise chegar à percepção da sociedade”, afirma a cientista política Luciana Veiga. Para ela, o número tem mais ligação com o cenário nacional do que com a realidade local. “Em 2000 (ano da primeira pesquisa), a população sentia a ressaca do governo Fernando Henrique. Em 2008, antes da crise, o momento era de expectativa de economia crescente, do aumento do número de empregos, por isso o otimismo.”
A qualidade de vida, aliás, permeia os anseios dos moradores da Grande Curitiba, segundo a cientista, principalmente quando se faz uma ligação entre ela – ou a sua deterioração – e o crescimento da cidade. “Existe um preço para crescer e todos sentem quando se diz que a cidade não é mais como no passado. Mas as pessoas têm uma clara percepção de que não há como voltar atrás e demandam que o crescimento seja, ao menos, organizado”, afirma.
Isso explicaria outros números apontados pela pesquisa, como perspectivas negativas: 67% acreditam que, se continuar crescendo de forma desordenada, Curitiba ficará pior que São Paulo; 66% afirmam que o número de favelas vai aumentar; e 64% têm a percepção de que a cidade ficará cada vez mais suja e poluída.
“Talvez as pessoas não saibam reproduzir isso, mas em última instância o que desejam é que haja um processo de planejamento urbano”, diz Luciana. O professor de Filosofia do curso de Direito da Fundação de Estudos Sociais do Paraná (Fesp), Sandro Araújo, tem a mesma percepção, de que a população espera por uma intervenção direta do poder público em determinadas áreas, como o trânsito, a segurança e a habitação. “Espera-se uma capacidade de ampliação da infraestrutura, mas uma ampliação inteligente. Além disso, sente-se a necessidade de campanhas educativas, o que demonstra o anseio pela educação, não apenas a formal, mas a holística, que tem como principal objetivo inserir os indivíduos na sociedade, fazer com que eles desenvolvam a consciência de que fazem parte dela”, afirma.
Reforçar o orgulho de viver em uma cidade como Curitiba – que sempre teve a imagem de modelo de organização e planejamento – “é, inclusive, um dos desafios do futuro”, afirma Luciana. “Esta é a marca histórica desta cidade, que há décadas faz o curitibano se sentir mais do que os demais. É um diferencial de que ele não quer abrir mão, porque faz parte de sua identidade. Mas a prefeitura sozinha não dará conta, é preciso elaborar estratégias de mobilização da sociedade civil, ativar a participação popular a cada dia”, sugere a cientista política.
Maioria dos entrevistados acredita que a capital oferece bastante qualidade de vida, embora crescimento da cidade preocupe
28/03/2009 | 00:15 | Renan Colombo
Apesar de preocupada com o crescimento da cidade, a maioria dos moradores de Curitiba e das cidades vizinhas (80%) avalia que a capital oferece bastante qualidade de vida. Os mais satisfeitos, em especial, consideram também que a cidade é um exemplo para o Brasil e, mais que isso, o melhor lugar do país para se morar (60%).
O grande trunfo de Curitiba para sustentar essa imagem é uma relação harmoniosa com o meio ambiente: 79% consideram a cidade ecológica e bem cuidada.
Recuperação da ousadia
Medir a qualidade de vida de uma cidade não é tarefa fácil. “Isso é subjetivo. Quem sai de Guiné-Bissau e vai para uma favela, por exemplo, acha a mudança ótima. Já quem sai do Batel, acha péssima”, esclarece o arquiteto e urbanista Fábio Duarte.
Para fazer esse cálculo, Duarte aconselha a análise de indicadores dos níveis de saúde e violência da região – fatores em queda na capital. “Curitiba já ofereceu uma qualidade de vida absoluta, que agora é relativa. A cidade pode ter bons projetos, mas há outros lugares melhores, especialmente em segurança e transporte”, avalia.
O caminho para a cidade recuperar a condição de destaque, opina Duarte, é investir nas áreas mais deficientes com a ousadia vista em outras décadas.
A professora e coordenadora do curso de especialização em Ecologia Urbana da Pontifícia Universidade Católica (PUCPR), Marta Luciane Fischer, reforça os elogios ao planejamento ecológico local. “Além de muitos parques, Curitiba tem uma política ambiental excelente. Há preocupação com esse tema tanto nas universidades, que fazem estudos, quanto nos órgãos gestores, que desenvolvem programas.”
Violência ameaça a tranquilidade
Para muitos entrevistados, porém, a satisfação de viver em Curitiba pode sofre com o crescimento da cidade: 69% da população avalia que a cidade paga um preço alto pelo desenvolvimento e, por isso, está perdendo qualidade de vida.
Esse panorama pessimista é explicado principalmente pelo aumento da criminalidade. De acordo com a pesquisa, 21% dos entrevistados já sofreram assaltos ou roubos à mão armada e, com medo, 82% creem que a violência está em crescimento e não é mais problema de alguns bairros.
O sociólogo e coordenador do Grupo de Estudos da Violência da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pedro Bodê, mostra-se preocupado com esse resultado. “O pior efeito do medo é a diminuição da solidariedade entre as pessoas. Os cidadãos se voltam para si, intensificam o próprio medo e buscam saídas autoritárias, como o aumento da repressão.”
A saída, pondera Bodê, está no engajamento da população, que deve participar de debates sobre o tema em vez de esperar soluções vindas das forças policiais.
O secretário de Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari, reconhece o problema e avalia que a violência tem raiz no comércio de entorpecentes. “O tráfico e as drogas são os grandes vilões da segurança. Em Curitiba e em quase todo o Paraná, cerca de 80% dos assassinatos são ligados ao tráfico de drogas, como acerto de contas e disputa por pontos de venda.”
Para combater a violência, o secretário informa que o Estado está investindo na qualificação de profissionais, na compra de equipamentos e no desenvolvimento de ações de inteligência. “Semanalmente são realizadas reuniões na Secretaria da Segurança, em que são apresentados os números da criminalidade e suas tendências, para que sejam traçadas estratégias de combate ao crime específicas para cada área”, afirma o secretário.
Na opinião de 61% dos entrevistados, saúde pública de Curitiba está mal
28/03/2009 | 00:17 | Flávia Alves
Embora seja melhor do que em outras cidades brasileiras, a saúde vai mal em Curitiba. É o que pensa boa parte dos entrevistados na capital e na região metropolitana: 61% concordam que a cidade está mal na assistência pública à saúde, enquanto 49% acreditam que ela tem uma melhor assistência quando comparada à maioria dos municípios brasileiros.
Para o médico Donizetti Dimer Giamberardino Filho, membro do Conselho Regional de Medicina do Paraná, tal percepção é reflexo de alguns problemas que o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda enfrenta não só na capital paranaense, mas em todo o país. “Apesar de ter 20 anos, o SUS ainda está em construção. Seus objetivos e ideais são bons, mas ele sofre de dificuldades organizacionais”, afirma.
Entre os principais obstáculos em Curitiba ele cita a alta demanda nos postos de atendimento 24 horas, a falta de leitos em UTI’s para adultos e a alta rotatividade dos médicos. “Precisamos de profissionais compromissados, que sejam motivados por uma carreira estável, bem remunerada e com boas condições de trabalho”, explica o conselheiro Giamberardino Filho.
O vice-prefeito e secretário municipal de Saúde, Luciano Ducci, reconhece que há desafios. “Em algumas unidades faltam médicos, mas neste ano serão contratados mais 83 profissionais. Temos ainda a demora em consultas de algumas especialidades, mas isso não é um problema exclusivo da cidade, mas do Brasil e do mundo todo”, justifica. Mesmo assim, Ducci afirma que “Curitiba tem o melhor sistema de saúde do Brasil”. Segundo ele, cerca de 70% da população curitibana (mais de 1,25 milhão de pessoas) é atendida pelo SUS – dado que coincide com o levantado pela pesquisa, já que 70% dos entrevistados afirmaram não possuir plano de saúde –, além dos usuários que vêm de outras cidades. “São 260 mil consultas mensais nas redes básica e de emergência, 60 mil novas consultas e 40 mil procedimentos por mês nas especialidades, além de 13 mil internações mensais”, quantifica.
Sobre a percepção negativa, Ducci diz que reconhece esta visão, apesar de atribui-la a uma ideia mais nacional do que regional. “É uma influência nacional, são várias questões que levam as pessoas a acharem que a saúde vai mal”, diz.
A opinião é compartilhada pelo procurador Marco Antonio Teixeira, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Proteção à Saúde Pública do Ministério Público Estadual. Ele afirma que o pessimismo tende a ser maior entre a população em geral do que entre os que realmente utilizam o sistema. Além disso, diz acreditar que só haverá uma melhora significativa a partir do momento em que a sociedade se apropriar do sistema. “As pessoas precisam ter a consciência de que têm o direito de cobrar, fiscalizar e participar mais. Só assim haverá um salto de qualidade.”
Atual estrutura do transporte coletivo agrada a 66% dos moradores da Grande Curitiba
28/03/2009 | 00:20 | Renan Colombo
Símbolo de eficiência a partir dos anos 70, o transporte coletivo de Curitiba segue agradando a maioria dos passageiros. Na opinião de 66% dos participantes da pesquisa, a atual estrutura funciona muito bem.
Administrado pela empresa Urbs, o sistema de transporte da região é composto por dois mil ônibus, que abastecem 395 linhas e ligam Curitiba aos municípios vizinhos.
O engenheiro civil e professor de Engenharia de Tráfego e Segurança de Trânsito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pedro Akishino, destaca as principais virtudes do sistema. “O transporte coletivo da cidade está longe do ideal, mas tem méritos, como as estações-tubo, que dispensam o cobrador dos ônibus e dão agilidade ao processo, e a possibilidade de se fazer várias conexões com uma única passagem.”
Akishino, entretanto, faz questão de pontuar algumas falhas. “Um transporte eficiente é o que leva o usuário aonde ele quer ir e de forma rápida. Sob esse aspecto, Curitiba está mal. Mesmo os ônibus biarticulados, que andam em canaletas exclusivas, demoram mais do que os carros.”
O dinamismo poderia ser aumentado, segundo o professor, com a ampliação das canaletas e o mapeamento das linhas mais utilizadas pelos passageiros, o que tornaria desnecessária a construção de um metrô – projeto conduzido pela Prefeitura de Curitiba.
Trânsito desagrada
A pesquisa aponta uma relação tensa entre quem anda a pé e de carro. Um total de 62% dos entrevistados avaliam que há muitos atropelamentos por falta de cuidado dos pedestres, enquanto 42% dizem concordar parcial ou totalmente que o motorista curitibano respeita os pedestres e os demais motoristas.
No entendimento da psicóloga e coordenadora do Núcleo de Psicologia do Trânsito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Iara Picchioni Thielen, esse conflito é gerado por um individualismo de ambas as partes. “Os motoristas esquecem que também são pedestres. Quando estão em um veículo, encaram os transeuntes como sujeitos que não deveriam estar na via. Já o pedestre esquece que tem o direito de atravessar a rua apenas com o semáforo fechado.”
Para tornar a relação mais amistosa, a psicóloga defende, além do cumprimento dos preceitos do Código Brasileiro de Trânsito, um exercício de conscientização mútua. “É preciso haver transformação no comportamento das pessoas, para que todos incorporem o sentido coletivo do trânsito. Enquanto as pessoas não entenderam que ele é um espaço democrático, sempre haverá conflitos.”
Maioria dos moradores da Grande Curitiba é favorável à reserva de cotas em universidades públicas
28/03/2009 | 00:21
Projeto cercado de polêmica, a reserva de cotas em universidades públicas tem apoio da maioria dos habitantes da Grande Curitiba (57%).
A primeira instituição de ensino do Estado a adotar o sistema foi a Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2005, com a reserva de 20% das vagas do processo seletivo para afro-descendentes e 20% para candidatos oriundos do ensino público.
A pró-reitora de graduação da UFPR, Maria Amélia Sabbag Zainko, defende o projeto como uma estratégia emergencial de inclusão social. “As cotas são uma forma de corrigir desigualdades históricas. É preciso ampliar as oportunidades de acesso ao ensino superior corrigindo essas desigualdades, e, no momento, não há ferramenta que permita isso senão as cotas”.
O apoio da maioria dos entrevistados, para Maria Amélia, simboliza um amadurecimento da visão sobre o tema. “Este não é um assunto tranquilo. Há especialistas e estudiosos com posições contraditórias e o posicionamento da população reflete isso. Mas acho que quem se posiciona a favor já entende que precisamos democratizar o acesso ao ensino utilizando as formas disponíveis”.
Educação é considerada a pricipal ferramenta de ascensão social. Escolas e universidades são consideradas ótimas pela maioria dos entrevistados
28/03/2009 | 00:22 | Renan Colombo
Se há um método no qual o morador da Grande Curitiba confia para “subir na vida”, é estudar. Nada menos que 82% deles consideram a educação a principal ferramenta de ascensão social conforme apresentado na primeira edição.
Na raiz dessa relação otimista com os estudos está a qualidade das instituições de ensino da capital – a maior parte dos habitantes julga ótimas as escolas particulares (73%) e as universidades locais (77%), além das escolas públicas, tidas por 58% como superiores às de outros municípios.
“O senso comum diz que o ensino privado tem mais qualidade que o público, mas as notas no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) mostram que em ambos os casos temos boas escolas”, esclarece a mestre em pedagogia e conselheira municipal de Educação, Ana Lorena Bruel.
No ensino superior, defendem os especialistas, o diferencial de Curitiba está na vasta oferta de universidades (são duas públicas e três particulares) e na formação do corpo docente. “A proximidade com São Paulo, onde estão as instituições pioneiras na pós-graduação, possibilitou que muitos professores se deslocassem para fazer mestrado e doutorado, e que regressassem mais qualificados”, avalia a professora do Programa de Mestrado em Educação da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), Maria de Fátima Pereira.
Atraída pela qualidade
Foi em busca de uma educação de excelência que, há quatro anos, a então estudante do ensino médio Mariane Mazzutti, 21 anos, deixou Pato Branco, no Sudoeste do estado, para fazer faculdade em Curitiba, depois de ser aprovada no vestibular de Odontologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Eu também passei no vestibular de uma universidade de Cascavel (no Oeste), mas preferi vir para cá porque achei que o ensino teria mais qualidade e seria mais conceituado.”
Após concluir a graduação, em 2008, Mariane passou a trabalhar em uma clínica odontológica. A rápida colocação no mercado, acredita a dentista, deve-se à qualidade da formação que teve. “Acho que 90% das minhas expectativas com o curso foram supridas.”
Desafio
Com a qualidade reconhecida, as instituições de ensino de Curitiba têm como desafio atrair mais alunos – já que, como mostrou a primeira edição desta pesquisa, 68% dos jovens com idade entre 18 e 24 anos não estão estudando.
Uma das experiências bem-sucedidas nessa tarefa é a educação profissionalizante, especialidade do Instituto Federal do Paraná (IFPR), antiga Escola Técnica da UFPR. “Na educação profissional, o aluno pode fazer o ensino médio aliado a um curso técnico e já terá uma profissão. É uma forma, inclusive, de custear um estudo futuro”, explica o reitor do IFPR, Alípio Santos Leal Neto.
A instituição atende presencialmente cerca de 1,5 mil alunos de todo o estado, sendo mais de mil somente em Curitiba – números que devem aumentar até o fim do ano, já que está em curso um projeto de ampliação da entidade.
Maioria dos moradores da Grande Curitiba sente orgulho da cidade e diz valorizar o que é da sua "terra"
28/03/2009 | 00:24
É com valorização que o morador de Curitiba e dos municípios vizinhos enxergam a capital. De acordo com a pesquisa, 83% dos entrevistados sentem-se orgulhosos da cidade e 80% responderam que valorizam o que é da sua “terra”.
A socióloga Isabel Cristina Couto, explica que a elevada estima dos curitibanos pela cidade tem raízes na década de 1990, quando Curitiba ficou vinculada à idéia de local ideal para se viver. “A propaganda da administração pública, na época, espalhou pelo Brasil uma imagem de cidade ecológica e planejada que detinha todas as características de uma grande metrópole, mas com a vantagem de ter população restrita. Mesmo um pouco enfraquecido, esse discurso ainda existe”, defende.
O sentimento positivo em relação à cidade também se deve, na visão de Naim Akel, psicólogo e professor PUCPR, à gradual independência técnica e cultural da cidade em relação às grandes metrópoles, como São Paulo e Rio de Janeiro. “Os curitibanos já se sentem autossuficientes. Hoje é possível comprar roupas de marcas europeias e norte-americanas e assistir a shows internacionais sem sair daqui.”
Tradição e família
Os dados da pesquisa mostram também que 71% afirmam que o curitibano é tracidional e conservador e 75% acreditam que para o curitibano a família é o centro das atenções. É o caso do casal Marcos Francisco Bodanese, 44 anos, e Eliane Schuta Bodanese, 42 anos, que educam os filhos – Bruno, 13 anos, Beatriz, 11 anos e Bianca, 6 anos – com valores e tradições presentes na família há gerações. Católicos, eles costumam ir à igreja duas vezes por semana e colocaram as crianças em uma escola tradicional. Para manter os laços de família mais estreitos, o casal optou por morar no mesmo bairro da mãe de Eliane, no Capão Raso. Todo domingo, o almoço em família conta com a presença da bisavó Maria Wosniak, 94 anos. “É muito importante manter os valores da família, da fé e da verdade entre os meus filhos. O legado que eu e a mãe deles queremos deixar para o mundo é fazer de nossos filhos pessoas melhores do que nós somos”, diz Bodanese.
Amizades
Ao contrário do que muitos pensam, a avaliação do curitibano é de um povo que sabe acolher os visitantes – 63% dos entrevistados disseram que o curitibano recebe bem as pessoas que vêm de fora, 59% acreditam que o curitibano quando faz amizade é sincero e leal e 54% concordam que não é mais difícil fazer amizades aqui do que em qualquer outra cidade brasileira. Foi o que sentiu a mineira Carolina Corção, 22 anos, quando chegou à Curitiba há cinco anos e conheceu umas das suas melhores amigas, Ana Cláudia França, 22 anos. “A Ana era da minha sala na faculdade e nós voltávamos para casa de ônibus juntas. Já na primeira semana ela foi muito simpática e receptiva”, conta Carolina. Hoje formadas, as amigas costumam se ver toda a semana e trocam e-mails contando as novidades.
Apesar de carregar o rótulo de fechado e individualista, morador da Grande Curitiba diz que gosta de conhecer pessoas e fazer novas amizades
28/03/2009 | 00:25 | Ana Letícia Genaro
Frio, individualista e fechado no seu mundo. Essas são características típicas do curitibano, certo? Os dados da pesquisa da Gazeta do Povo revelam o contrário: a imagem daquele que nasce em Curitiba ou mora muito tempo na cidade é bastante positiva. Entre os entrevistados, 86% afirmaram que o curitibano gosta de conhecer pessoas e ouvir opiniões diferentes das suas e 82% que ele gosta de fazer novas amizades.
“Graças à multiplicação de migrantes de todo o país na região, o curitibano mudou muito. Ele está adquirindo novos hábitos e estilos de se relacionar e interagir que tendem a ser mais abertos e receptivos”, explica Naim Akel, psicólogo e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
O filósofo e professor da Universidade Positivo, Roni Eder Bernardinis, acredita que a influência dos “forasteiros” pode ser vista não só no comportamento como também no aspecto linguístico. “O número de pessoas que tem o sotaque forte, típico do curitibano, está diminuindo”, diz. Na lista de fatores que desencadearam essas mudanças estão a globalização e o desenvolvimento tecnológico. “Como qualquer cidadão do mundo, o curitibano está mais exposto a culturas diferentes. Além disso, há inúmeras ferramentas que facilitam a comunicação e o início de novas amizades”, observa Bernardinis.
Bem-recebido
Ao chegar em Curitiba – há 12 anos – o empre-sário norte-americano Neil Dallas, 39 anos, não esperava ser tão bem aceito quanto foi. “A ideia era ficar só seis meses, mas me encantei pela cidade e pelo povo e decidi ficar”, conta. Foi na capital do Paraná que ele conheceu a maringaense Kátia Nishimura, 41 anos, professora de inglês com quem casou e teve duas filhas. Ainda quando eram namorados, o casal deu início a uma amizade estreita com os curitibanos Maurício e Michelle Gulin – que hoje se estende também aos filhos. “Injustamente o curitibano é criticado por sua cultura, que é diferente da do paulista ou e do carioca, mas nem por isso é pior. Aqui, quando as pessoas fazem amigos, são para a vida toda”, argumenta o norte-americano que costuma se reunir com o grupo pelo menos uma vez por mês.
Forasteiros
Na contramão dos que acreditam que as pessoas que vêm de fora trazem coisas positivas para a cidade, uma parcela considerável ainda enxerga o “forasteiro” com preconceito. A pesquisa apontou que para 53% dos entrevistados, os nascidos em outras cidades que vêm morar na região trazem mais coisas boas do que ruins para a cidade. Em contrapartida, 36% dizem que as pessoas que vêm de fora prejudicam a qualidade de vida na cidade; 35% responderam que o curitibano não gosta que pessoas de fora venham morar na cidade, enquanto que 27% pensam que quem vem de longe para morar em Curitiba suja a cidade.
A socióloga mestre em História e professora da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), Isabel Cristina Couto, explica que culturalmente é normal as pessoas não enxergarem com bons olhos quem vem de fora. “Temos a tradição de considerar nossa cultura e nossos hábitos como mais importantes do que os dos outros. É o que chamamos de cultura etnocêntrica”, explica. Na visão de Isabel, o olhar crítico sobre os que vêm de outros lugares pode ser explicado pelo discurso popularizado no século 20 de que Curitiba é a cidade em que tudo dá certo. “No imaginário coletivo a ideia de que o curitibano zela pela limpeza de sua cidade é muito forte. Aí quando os cidadãos veem que algo saiu da normalidade, eles não conseguem enxergar que é um problema institucional e atribuem àqueles que vem de fora”, explica.
O 4º caderno da pesquisa Retratos de Curitiba, realizado pela Gazeta do Povo mostra a opinião dos curitibanos sobre a cidade, sua estrutura, transporte, segurança, etc.
Confira nos links abaixo:
Apesar de carregar o rótulo de fechado e individualista, morador da Grande Curitiba diz que gosta de conhecer pessoas e fazer novas amizades
Maioria dos moradores da Grande Curitiba sente orgulho da cidade e diz valorizar o que é da sua "terra"
Educação é considerada a pricipal ferramenta de ascensão social. Escolas e universidades são consideradas ótimas pela maioria dos entrevistados
Maioria dos moradores da Grande Curitiba é favorável à reserva de cotas em universidades públicas
Atual estrutura do transporte coletivo agrada a 66% dos moradores da Grande Curitiba
- Melhor que outras mas ainda com problemas
Na opinião de 61% dos entrevistados, saúde pública de Curitiba está mal
Maioria dos entrevistados acredita que a capital oferece bastante qualidade de vida, embora crescimento da cidade preocupe
Futuro da cidade causa insegurança nos moradores da Grande Curitiba, mas maioria acha que cidade continuará sendo um bom lugar para se viver
- “Curitiba não tem receio de buscar a vanguarda”
Entrevista com Beto Richa, prefeito de Curitiba
Uma coisa é certa: Curitiba mudou e mudará ainda mais, espraiando-se pelo primeiro planalto curitibano. A cidade se transforma constantemente, junto com a sua imagem e sua gente
O 3º caderno da pesquisa Retratos de Curitiba realizada pela Gazeta do Povo traz uma visão aprofundada sobre o que pensa o curitibano sobre os valores morais e éticos de nossa sociedade. Confira nos links abaixo o resultado.
- Mais da metade já apelou para o jeitinho
Maioria dos entrevistados assume já ter apelado para o famoso jeitinho brasileiro em alguma ocasião
Pessoas com mais de 40 anos classificam corruptos e antiéticos com mais rigor que os mais jovens
- A maioria acredita e respeita as leis acima de tudo
66% dos entrevistados creem nas leis, sendo que 56% as respeitam acima de tudo
- As pequenas e familiares são as mais respeitadas
Empresas de menor porte desfrutam de credibilidade junto aos consumidores da Grande Curitiba
- Classe política desperta só 1% de confiança
Para cientista político, ceticismo é explicado pelo grande número de casos de irregularidades que chegam ao conhecimento da população
Quase metade dos moradores da Grande Curitiba acredita que “Deus decide o destino e que nada pode mudá-lo”
Morador da Grande Curitiba é conservador para assunto como amor, sexo, família e educação dos filhos
Pesquisa revela que moradores da Grande Curitiba acham importante o trabalho voluntário, mas não participam dele
Índice de confiança do morador da Grande Curitiba na polícia é baixo
Quase um terço dos jovens entrevistados consideram importante encontrar alguém para namorar e casar
Maioria dos entrevistados assume já ter apelado para o famoso jeitinho brasileiro em alguma ocasião
27/03/2009 | 00:24 | Ana Letícia Genaro
Recorrer ao famoso jeitinho brasileiro para se livrar de uma multa ou fugir da fila do banco. Entre os moradores da Grande Curitiba, são poucos os que reprovam esse tipo de atitude. A pesquisa da Gazeta do Povo mostra que somente 12% dos cidadãos não aceitam o jeitinho brasileiro em nenhum tipo de condição, enquanto 42% concordam em determinadas situações, quando é preciso ter jogo de cintura.
“É a nossa maneira de dar um jeitinho em tudo. Eu acredito que seja positivo porque resolve os problemas de cada um.” Elizabete Romanos, 82 anos, professora aposentada
“É pura malandragem, mas faz parte da personalidade do brasileiro. Se alguém tem a oportunidade, uma hora ou outra acaba fazendo.” Leandro Ferreira Vasconcelos, 33 anos, taxista
“É um dos piores problemas no país. Desencadeia desrespeito e corrupção.” Gerson Grassia, 43 anos, consultor empresarial
“É encontrar uma maneira de resolver um problema. Dependendo da situação, eu concordo.” Alan Gregory Ospedal, 16 anos, estudante
Juventude é mais flexível
Receber por dois empregos e só trabalhar em um ou usar cargo do governo para beneficiar a si mesmo. O resultado da pesquisa da Gazeta mostra que ao avaliar comportamentos como esses, o cidadão da Grande Curitiba acima dos 40 anos classifica como corruptos e antiéticos com muito mais rigor do que os mais jovens.
A Gazeta do Povo perguntou...
O que é jeitinho brasileiro para você?
Confira as respostas:
“Jeitinho brasileiro é utilizar artifícios pessoais a fim de burlar uma ordem burocrática ou legal”, explica Liliana Porto, antropóloga e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Na visão dela, esse tipo de atitude condiz com a tentativa de deslocar as relações para o âmbito pessoal, tentando fugir de um modelo orientado por critérios racionais ou legais bem definidos. “Como já expressa o famoso ditado ‘aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei’, o recurso à legalidade é visto como um castigo àqueles que não possuem relações pessoais sólidas e influentes que possam retirá-los desta esfera”, afirma Liliana.
Quando perguntados se utilizaram o jeitinho brasileiro em alguma ocasião, 54% responderam que sim e outros 50% disseram já ter pedido para alguém lançar mão desse artifício para resolver algum problema. “Apesar de serem tolerantes, os curitibanos – por terem uma identificação com o universo europeu – são mais avessos a esse tipo de atitude do que o brasileiro de modo geral”, diz a antropóloga Liliana. Entre as atitudes identificadas pelos moradores da Grande Curitiba como pertencentes a esse universo estão pedir para um conhecido que trabalha no banco para pagar as suas contas (32%), baixar músicas e vídeos da internet sem pagar nada (27%) e dar gorjeta para o garçom para não esperar na fila (27%).
Apesar de especialistas relacionarem o jeitinho ao modelo de colonização ibérica ocorrida no Brasil e às relações de poder instauradas, a antropóloga da UFPR acredita que esse tipo de atitude está associada à ideia de cordialidade. “Nós vivemos numa sociedade que condena fortemente qualquer tipo de conflito aberto e em um ambiente em que as desigualdades e a discriminação podem ocorrer, desde que se mantenham na esfera privada”, diz. Segundo ela, este modelo é propício ao jeitinho, porque este se constitui como uma estratégia eficaz para evitar qualquer tipo de conflito aberto e deslocar as tensões para o mundo privado.
Herança do feudalismo
O cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Sérgio Braga, afirma que este jeitinho não é uma característica própria do brasileiro. “Essa cultura pode ser vista em qualquer sociedade em que o modelo feudalista ainda seja aplicado. O povo daqui só tem mais ginga e habilidade para fazê-lo”, conclui.
Pessoas com mais de 40 anos classificam corruptos e antiéticos com mais rigor que os mais jovens
27/03/2009 | 00:24
Receber por dois empregos e só trabalhar em um ou usar cargo do governo para beneficiar a si mesmo. O resultado da pesquisa da Gazeta mostra que ao avaliar comportamentos como esses, o cidadão da Grande Curitiba acima dos 40 anos classifica como corruptos e antiéticos com muito mais rigor do que os mais jovens.
A psicóloga mestre em educação e professora da Faculdade Evangélica do Paraná, Anadir Thomé Oliare, explica que este posicionamento é típico da juventude. “Por estar ou ter passado por uma fase de transição recentemente, o jovem é menos rigoroso e avalia com mais flexibilidade”, diz.
Anadir explica que os jovens muitas vezes não respeitam regras porque não concordam com o que lhe é imposto. Outro fator importante é que no seu desenvolvimento, o indivíduo sofre influência da sociedade. “Vivemos permeados de valores permissivos que são copiados pelos jovens. Eles pensam: se todo mundo faz por que eu não posso fazer também?”, diz Anadir. Para o filósofo e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Cesár Candiotto, uma das características da sociedade burguesa é o individualismo. “Hoje é mais difícil encontrar jovens que pensam no coletivo.”
66% dos entrevistados creem nas leis, sendo que 56% as respeitam acima de tudo
27/03/2009 | 00:24 | Ana Letícia Genaro
A pesquisa apontou que 66% dos entrevistados creem nas leis, sendo que 56% as respeitam acima de tudo, sem exceções, e 10% dizem que apenas juízes podem decidir sobre exceções à lei em certos casos.
“Nós só ouvimos que as leis existem e que precisamos obedecê-las. Mas quando precisamos reivindicar nossos direitos, elas não servem para nós.” Patrícia de Lima, 23 anos, dona de casa
“As leis só existem para o trabalhador, para as autoridades, não. Todo ano surgem mais e mais leis novas para nós motoqueiros.” Sérgio Roberto dos Santos, 40 anos, motoboy
“Eu não acredito em todas as leis porque, ao meu ver, nem todas funcionam. Grande parte delas vale só para quem não tem dinheiro. Quem tem, faz o que quer.” Cristiane de Agostinho Antônio, 32 anos, professora do ensino fundamental e médio
“Eu, assim como muitos curitibanos, não confio totalmente nas leis e na eficácia do Poder Judiciário. Quando sofri um acidente de trânsito, entrei com uma ação contra o governo federal e não recebi integralmente o que tinha direito.” Fabiano Kleber da Cruz, 21 anos, estudante
A Gazeta do Povo perguntou...
você acredita nas leis brasileiras?
Confira as respostas:
Na visão do jurista René Dotti, o número significativo dos que acreditam nas normas jurídicas é a prova do sentimento histórico de confiança da população nas leis como um instrumento para estabelecer a ordem e a segurança em uma sociedade. “Chega até a ser um sentimento de sacralidade. Isso pode ser visto quando surge uma nova lei. A Lei Seca, por exemplo, gerou um sentimento de esperança e expectativa de ordem em todo o país”, diz.
Para o presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, desembargador Carlos Augusto Hoffmann, o respeito às leis está diretamente vinculado à qualidade de vida da população. “Dois terços dos entrevistados é um número bastante significativo. Acreditar e respeitar as leis é um imperativo que determina o equilíbrio na vida em sociedade”, diz.
Por outro lado, Dotti acredita que esse número poderia ser maior se não houvesse tantos escândalos de corrupção e falta de exemplo público de conduta da lei. “As pessoas não são motivadas a agir corretamente porque nem mesmo quem as representa age. Isso faz com que o cidadão se sinta descrente quanto ao estabelecimento da ordem.”
O filósofo e professor da PUCPR, César Candiotto, acrescenta a impunidade à lista dos motivos que fazem com que 34% da população não acredite nas leis. “Muita gente pensa que as leis não servem para todos porque não se aplicam da mesma forma a todas as pessoas”, explica.
Jovens acreditam menos
A pesquisa apontou também que o respeito às leis diminui com a idade. Dos entrevistados entre 55 e 75 anos, 64% acham que as leis devem ser respeitadas sem exceção. Entre os mais novos, 16 e 17 anos, somente 41% concorda. “Os jovens não são educados para cumprir às leis. Além disso, para um jovem que não vê os seus direitos sendo cumpridos, como saúde e educação, fica difícil crer que as leis são eficazes”, observa o professor Candiotto.
Para o presidente do Tribunal de Justiça, é na maturidade que a experiência da vida em sociedade leva o indivíduo a reconhecer e consolidar a crença de que o sistema legal é vital para a organização da vida social. Segundo ele, a sociedade precisa pensar em formas de levar aos jovens conhecimentos sobre como se constitui o sistema legal, quais são os principais atores envolvidos nesse processo e provocar o interesse deles em contribuir com a sua parcela para o fortalecimento desse sistema.
Empresas de menor porte desfrutam de credibilidade junto aos consumidores da Grande Curitiba
27/03/2009 | 00:24 | Renan Colombo
Alheias ao cenário de desconfiança traçado pela pesquisa, as empresas pequenas e familiares desfrutam de credibilidade junto aos consumidores da Grande Curitiba. O índice de confiança plena nelas é de 27% – o maior do estudo e quase o dobro do número obtido pelas grandes empresas e indústrias (15%).
A possibilidade de oferecer um atendimento personalizado e a relação de confiança estabelecida com o consumidor são apontadas como a razão desse crédito. “A empresa pequena e familiar personifica a figura do fundador ou do proprietário, normalmente um sujeito carismático e que conta com a empatia e a confiança do cliente”, explica o consultor do Sebrae-PR, Paulo Tadeu Graciano.
O Paraná possui cerca de 450 mil micro e pequenas empresas formais, de acordo com o Sebrae-PR. Entre as tradicionais está a Papelaria João Haupt, há 98 anos funcionando em Curitiba e hoje gerenciada pelos irmãos Marcus Vinicius, 43 anos, e João Cesar, 47 anos – a quarta geração de administradores.
Mesmo se valendo do trunfo da tradição, as empresas do ramo não podem fugir à modernização, sob pena de perder espaço no mercado. Na João Haupt não foi diferente: sua especialidade passou de acessórios para máquinas de escrever a utensílios de informática. “A tradição traz vantagens e desvantagens. Ela garante mais credibilidade, mas exige que você se atualize para acompanhar as novas tendências”, pontua Marcus Vinícius. Apesar da modernização, nem tudo mudou na papelaria. Boa parte dos funcionários trabalha no local há pelo menos duas gerações, como a vendedora Béria de Castro, 42 anos – 23 deles atuando na loja. “Eu fui ficando porque o clima aqui é familiar, sem contar que há muita confiança na relação com o chefe.”
Para cientista político, ceticismo é explicado pelo grande número de casos de irregularidades que chegam ao conhecimento da população
27/03/2009 | 00:24
A classe política levou o título mais amargo da pesquisa: o de instituição com o menor índice de confiança. Somente 1% dos moradores da Grande Curitiba confiam plenamente nos partidos políticos e 2% nos políticos e candidatos à eleição.
Esse ceticismo é explicado pelo cientista político e professor da UFPR Ricardo Costa de Oliveira, autor de um livro sobre a estrutura de poder do Paraná, pelas sucessivas denúncias de corrupção na esfera política. “A população assiste a denúncias de irregularidades o tempo todo e em todos os níveis de poder. Isso desmoraliza a política e dissemina a imagem de que as pessoas entram nesse meio para se beneficiar.”
Para reverter o imaginário negativo, avalia o professor, é preciso fortalecer os partidos e renovar a classe política. Otimista, ele acredita que isso deva acontecer em breve, inclusive pelo que aponta a pesquisa. “Vivemos um momento de afastamento, mas é preciso chegar a um ponto de desgaste para se criar novas alternativas. Então, tenho uma perspectiva otimista porque o descrédito dos políticos mostra que o eleitorado está reagindo.”
Em quem acreditar?
O morador de Curitiba e municípios vizinhos tem uma opinião contraditória em relação às leis. Ao mesmo tempo em que confia nas regras (66%), mostra grande descrédito para com as entidades que as criam e as executam: 31% de desconfiança total no Congresso Nacional, 30% no Governo, 18% no Poder Judiciário e nas Polícias (29% Militar, 26% Civil e 22% Federal).
O resultado surpreende o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Paraná (OAB-PR), Alberto de Paula Machado. “Esses números chamam a atenção porque mostram uma contradição: a lei não existe como algo abstrato, mas a população parece acreditar nisso”. Para ele, o que pode explicar tal comportamento é a desconfiança que ronda o Poder Judiciário, desacreditado em função da morosidade com que funciona. “Se um processo leva 10 ou 15 anos para ser julgado, dificilmente a população vai responder a essa questão (índice de confiança) de forma positiva. Não há boa justiça se ela for tardia.”
Machado também atenta para a crise de credibilidade do Congresso Nacional, principal entidade legislativa do país. “Os problemas do Congresso são de aspecto moral, pois a população não tolera mais os sucessivos escândalos envolvendo os parlamentares e seus servidores.”
Quase metade dos moradores da Grande Curitiba acredita que “Deus decide o destino e que nada pode mudá-lo”
27/03/2009 | 00:24 | Vivian de Albuquerque
Deus decide o nosso destino ou podemos mudá-lo? Até onde temos o poder sobre nossas vidas? A pesquisa revela que 47% dos moradores da Grande Curitiba acreditam que “Deus decide o destino e que nada pode mudá-lo” e para 10% “Deus decide o destino, mas as pessoas podem mudá-lo totalmente.”
Dados que parecem contraditórios quando 84% afirmam que “acreditam que podem se dar bem na vida através do próprio esforço” e outros 82% que “a educação é a principal maneira de ‘subir na vida’”.
“Desde a Idade Média, a Igreja Católica sempre teve um discurso escatológico, pregando o fim do mundo”, comenta a professora de História das Religiões da Universidade Tuiuti, Vera Irene Jurkevicz. “Esse discurso veio para o Brasil com os portugueses que eram mais que fervorosos. A Europa tinha recém-saído do feudalismo e o homem ainda se enxergava como coletivo. Assim, tudo o que acontecia de adversidade era visto como manifestação da vontade de Deus para punir a comunidade que tinha feito algo errado”. A professora fala, ainda, que esse é um discurso comum até como forma de acomodação. Segundo ela, posicionamentos sobre determinados assuntos ou situações exigem mudanças de comportamento. “Se eu não atribuo os problemas e as tragédias a alguma causa divina, isso quer dizer que eu posso mudar a situação. Mas aí eu terei de agir. Será que eu quero realmente agir?”
A administradora e professora Eliete Marly Terres, 36 anos, é a mais nova de três filhas. O pai já foi motorista de táxi, trabalhou na indústria e hoje está aposentado por invalidez. A mãe é dona de casa. “Meus pais e eu somos católicos praticantes”, conta Eliete. “Mas tem duas frases que minha mãe sempre fala: ‘Deus disse – faça que eu te ajudo’ e ‘Deus ajuda quem cedo madruga’. Deus não fará milagre, apesar de gostar muito de você e de querer vê-lo feliz e realizado. Católico ou não, independentemente de sua crença, você tem de fazer por merecer”, afirma. “Estou fazendo a minha parte. Acredito que as pessoas que colocam a culpa em Deus por serem menos abastadas são na realidade acomodadas. As coisas não caem do céu por descuido.”
Reza que sara
Para o professor Reginaldo José dos Santos Júnior, mestre em Ciências da Religião e vice-diretor da Faculdade Teológica Batista do Paraná, as pessoas vivem a partir das suas crenças. “Diferentemente dos animais, o ser humano precisa encontrar sentido para viver. Assim, acreditar que Deus controla o destino pode dar força para a pessoa continuar. Pode estar faltando comida, água, saúde e outras coisas, mas, se a pessoa acredita que é assim porque Deus permite, então ela sofre menos psicologicamente. Parece esquizofrênico, mas, às vezes, é a única coisa que resta e a pessoa se agarra a isso. É como diz um personagem de Grande Sertão: Veredas, ‘é reza que sara a gente!’.”
Morador da Grande Curitiba é conservador para assunto como amor, sexo, família e educação dos filhos
27/03/2009 | 00:24
O morador da Grande Curitiba revela que ainda é bastante conservador em assuntos relacionados a amor, sexo, família e educação dos filhos. Para 76% dos entrevistados, hoje os pais dão liberdade demais aos filhos. O sexo também é importante, mas para 70% “só é válido com amor”. E as mulheres? Para os entrevistados elas deveriam estar mais em casa, porque 40% acreditam que as mulheres, depois que começaram a trabalhar fora, prejudicaram a família e a educação dos filhos. Conservadorismo que também dá espaço a quebras de tabu, como os 54% que dizem que os homossexuais têm direito a terem relacionamentos e 46% que as pessoas deveriam morar juntas antes de casar.
“No sul do País tivemos uma fortíssima imigração européia”, afirma a professora da UFPR Lídia Weber. “Isso traz características interessantes, além dos cabelos loiros. Entre elas, o apego à família e a visão de uma mulher parceira e muito ativa que decide as coisas no seio da família sem precisar do aspecto patriarcal.” Porém, a pesquisadora lembra que apesar dos aspectos tadicionais, advindos de seus ancestrais, já se passaram algumas gerações e toda a cultura – e o social do Brasil – mudou, “e por aqui também o tradicionalismo dos imigrantes diluiu-se no comportamento de novas gerações totalmente verde-amarelas. Como todo o resto do planeta, tem novos aspectos culturais que trazem novas reflexões sobre comportamentos e visão de mundo.”
Diferenças
Nas questões sobre homossexualidade e morar junto antes de casar, Lídia afirma que a estampa da família tradicional não está desaparecendo, mas se modificando e de uma forma cada vez mais dinâmica. “Aceitar o diferente é fundamental”, diz.
Aceitação que vem sendo percebida também por quem a recebe. Marcio Tomaz, 32 anos, assessor administrativo, é casado há onze anos com uma pessoa do mesmo sexo e diz que aceitar que o “diferente” existe já é um grande passo para se quebrar o tabu muito comum há 20 ou 30 anos. “Para as gerações mais novas está sendo mais fácil, porque a discussão do tema na sociedade faz com que muitos descubram que ‘viver o que se é’ é melhor do que esconder o que muitas vezes é nítido para todos. As pessoas vão convivendo e se acostumando. Aprendendo a respeitar. Respeitam porque percebem que aquele relacionamento é tão normal quanto qualquer outro.”
Pesquisa revela que moradores da Grande Curitiba acham importante o trabalho voluntário, mas não participam dele
27/03/2009 | 00:23
Apesar de mobilizações quando acontecem tragédias, como a dos desabrigados pelas enchentes em Santa Catarina, os moradores da Grande Curitiba não se sentem voluntários. “Muitos indivíduos são solidários, atuam no voluntariado, mas não se percebem como praticantes”, comenta a professora Ana Lúcia Santana, coordenadora do Núcleo Interdisciplinar Sobre Terceiro Setor da Universidade Federal do Paraná (NITS). “Estão aí as associações de moradores de bairro, as religiosas, as atividades nos grupos de pais e mestres de escolas. Ao participar dessas atividades, as pessoas não se percebem como voluntárias, mas são.”
A pesquisa da Gazeta do Povo revelou na questão “O que não fazemos nunca” que 82% dos entrevistados não fazem trabalhos voluntários. Isso, ao mesmo tempo em que respondem, com a média de 72%, que o trabalho voluntário é uma forma de cada um fazer a sua parte e ajudar aos que precisam. Então eles concordam, mas não fazem? A explicação, segundo a coordenadora do NITS, está justamente nessa dificuldade em se enxergar como voluntário e saber diferenciar o trabalho voluntário do chamado voluntariado. Este último se pratica toda vez que se age em benefício da coletividade, sem contrapartida de benefícios pessoais diretos ou imediatos. Então, em geral, toda ação de responsabilidade social, ambiental, cultural é em si o exercício do voluntariado. “ É quando separo o lixo, quando não furo fila, quando não paro o veículo nas yellow box (caixas amarelas, de trânsito) ou quando uso lixinho dentro do carro”, esclarece Ana Lúcia. Já o trabalho voluntário exige uma ação coordenada, na qual a pessoa exerce tarefas específicas, em horários pré-determinados, em locais definidos.
Culpa do governo
Outra afirmação da pesquisa aponta que 41% dos entrevistados dizem que “é o Estado o responsável por resolver os problemas da sociedade, e não eu”. Seria isso um reflexo da própria gestão pública? “O que vemos é que quanto menor o grau de escolaridade e maior o de dependência dos indivíduos e das famílias de programas sociais estatais, de caráter permanente, e de resultados duvidosos, maior é o sentimento de que o Estado deve cuidar dos problemas ou das questões sociais”, diz a coordenadora do NITS. Para ela, o investimento em educação é o melhor instrumento para a construção da cidadania.
Índice de confiança do morador da Grande Curitiba na polícia é baixo
27/03/2009 | 00:22 | Vivian de Albuquerque
Um verdadeiro sucesso de bilheteria, o filme Tropa de Elite trouxe à tona uma discussão sobre a realidade da segurança no país. Entre os temas está o medo que o brasileiro tem de quem deve ou deveria protegê-lo. É o que reflete a pesquisa da Gazeta do Povo. A confiança total nas polícias mostra-se muito baixa, com índices de 4% para a Polícia Militar, 6% para a Polícia Civil e 9% para a Federal.
Mas o que chama atenção mesmo é a questão do medo. Para 74%, “as pessoas, muitas vezes, têm mais medo da polícia do que dos bandidos”. Ao mesmo tempo em que 29% acreditam ser certo “a polícia matar assaltantes e ladrões de propósito” ou 27% que acreditam ser correto “bater em um acusado para que ele confesse”.
Quem explica essa visão do morador da Grande Curitiba é o professor Pedro Bodê, coordenador do Núcleo de Estudos em Segurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Essa desconfiança e esse medo revelam a profundidade da violência estrutural em nossa sociedade”, comenta. “As pessoas têm medo, mas aceitam, ao mesmo tempo, coisas inaceitáveis como bater e matar. Os valores violentos são compartilhados pela sociedade, mas na linha do ‘desde que não façam comigo’. A polícia pode bater, mas não em mim. Isso não é só com a polícia. Todos aqueles considerados como vulneráveis são expostos à violência, como resultado de um problema estrutural da sociedade. São os adultos contra as crianças, os homens contra as mulheres, os mais jovens contra os mais idosos. É como se fosse um círculo vicioso.”
Segundo Bodê, essa desconfiança na polícia é muito parecida em todo o país. Por isso mesmo, ou se muda a maneira de fazer segurança pública ou a violência só tende a aumentar. “É o caso do Bope do Rio de Janeiro”, exemplifica. “Foi uma polícia criada para matar e assim acabar com o crime. Mas o que ela acabou promovendo foi o surgimento de criminosos muito mais violentos e uma população mais resistente às ações policiais.”
Para o estudioso, a modernização das polícias – Militar, Civil e Federal – passa pela investigação, pelo uso da inteligência. “É preciso que a polícia se desmilitarize, mude sua característica. Mas como é que você muda isso se a própria sociedade aceita a violência?”, questiona.
Quase um terço dos jovens entrevistados consideram importante encontrar alguém para namorar e casar
27/03/2009 | 00:21
Para 32% dos entrevistados, principalmente jovens de 16 a 24 anos da Grande Curitiba, o importante é encontrar alguém para namorar/casar. É o caso do estudante do curso de Marketing, Jorge Nelson Gloss Neto, de 19 anos, que está prestes a completar um ano de namoro. “É muito especial para mim essa comemoração”, garante. “Eu nunca tinha ficado com uma menina por mais de dois meses. Eu acho que já está passando a fase em que ninguém quer nada sério”, afirma.
“Já conversamos sobre casamento e não acho que isso seja careta. Seríamos precoces se casássemos no ano que vem, mas não caretas”.
Segundo a professora do curso de Psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Lídia Weber, uma estudiosa das relações familiares e sociais, as estatísticas antropológicas mostram que 92% das pessoas, em todo o mundo, se casam em algum momento. Jovens de 16 e 17 anos querem compromisso, o que não significa necessariamente casar nessa idade, mas ter alguém para partilhar os momentos.
Segundo suplemento da série retrata os hábitos, consumo e lazer dos moradores da Grande Curitiba
26/03/2009 | 00:01 fonte: Gazeta do Povo
O que e onde o morador de Curitiba e municípios vizinhos gostam de comprar e o que fazem quando não estão trabalhando, além de hábitos de lazer e diversão, fazem parte deste segundo número da série Retrato da Grande Curitiba. A pesquisa, realizada pela Gazeta do Povo, em parceria com o Instituto Ethos, revela ainda que as intenções de compra são por produtos tecnológicos e que o morador, em sua maioria, prefere as lojas de rua no centro da capital.
Os principais resultados desse que é o mais completo estudo do gênero estão apresentados em quatro suplementos especiais, que circulam na Gazeta do Povo, de 25 a 28 de março. Foram 3.780 questionários aplicados na capital e nos municípios de sua região metropolitana – Pinhais, São José dos Pinhais, Colombo, Araucária, Almirante Tamandaré e Campo Largo – entre 12 de julho e 29 de agosto de 2008.
Na pesquisa, a equipe de 70 profissionais do Ethos realizou questionários e entrevistas com pessoas de diversos grupos sociais.
Há uns 20 anos ouvi uma frase muito conhecida nos meios publicitários: “Se um produto passar no teste do gosto do povo curitibano, podem lançá-lo no país todo que dará certo.”
Produtos tecnológicos ganharam mais espaço na vida das pessoas que moram na Grande Curitiba
- Para uma boa refeição, nada melhor que a casa da gente
Almoçar fora é hábito presente nas famílias da Grande Curitiba, principalmente nos finais de semana
- Filhos e música para depois do trabalho
Brincar com as crianças é a atividade preferida dos que têm filho; para os demais, ouvir música é a melhor opção
- Falta interesse por cursos e arte
Frequentar um curso de idioma é atividade rejeitada 91% dos entrevistados
Morador da Grande Curitiba prefere o litoral paranaense e é apaixonado por futebol
Quase metade dos moradores da Grande Curitiba têm o sertanejo como estilo musical preferido
- Poucos tem acesso ao mundo digital
Um quarto dos jovens entre 16 e 17 anos nunca teve contato com a internet
Há uns 20 anos ouvi uma frase muito conhecida nos meios publicitários: “Se um produto passar no teste do gosto do povo curitibano, podem lançá-lo no país todo que dará certo.”
26/03/2009 | 00:18 | José Pio Martins
Assim, um bem ou serviço que fosse aceito pela população desta cidade teria enorme chance de ser bem aceito pelo consumidor brasileiro de forma geral. Essa crença gerou a noção de que Curitiba deveria ser escolhida como cidade-teste para qualquer lançamento.
Embora se trate de afirmações ligadas ao mundo do marketing e da publicidade, o fato é que elas refletem características típicas do povo e do consumidor da capital do Paraná. De certa forma, a pesquisa sobre o que se pode chamar de “perfil do curitibano”, feita agora em 2008, revela aspectos peculiares da população local que se encaixam naquelas afirmações antigas. A população entrevistada, composta de 55% de pessoas não-nascidas em Curitiba, pode ser apresentada para confirmar a tese de que Curitiba são duas cidades, até bastante distintas. Uma, claramente influenciada pela colonização europeia, com seus usos e costumes rigorosos e conservadores, e outra mais parecida com o grande Brasil do interior, do Norte e do Nordeste, composta de pessoas mais soltas, mais carnavalescas, fruto da mistura português-africano-índio.
A Curitiba mais europeia tem nível médio de renda maior do que a renda média do país, tem bons níveis de escolaridade e forma a “geração shopping center”. Essa geração, que tem bons níveis de leitura, gosta de cinema, é um tanto caseira e tem na frequência a restaurantes um dos seus principais lazeres de fim de semana. Talvez induzida pelo clima e pelo conservadorismo da Europa anglo-saxã, essa parte da população curitibana é vista sim como um consumidor mais difícil de conquistar, além de ser diferente do estilo festivo e quase irresponsável do brasileiro simples das regiões de clima sempre quente.
Existe outra população dentro de Curitiba que vem do êxodo rural, pelo qual milhares de famílias deixaram o campo rumo às cidades, e do êxodo urbano, pelo qual grandes quantidades de população deixaram as pequenas cidades rumo à Região Metropolitana de Curitiba. Essa gente incorporou-se ao cenário urbano da grande cidade, mas manteve parte dos seus hábitos da gente simples do interior, conforme está expressado no fato de que 48% dos entrevistados pela pesquisa declaram seu gosto pela música sertaneja contra um distante segundo lugar, 17%, dos que declaram o gosto pela MPB. O que ocorre é que a maioria da população do interior do Paraná, da qual saíram os emigrantes para a capital, é formada por brasileiros de São Paulo, de Minas Gerais, do Nordeste e do Norte do Brasil. É essa população vinda do interior do Estado que dá o tom da face curitibana composta pelo brasileiro típico conhecido da mistura da raça portuguesa com o africano e o índio.
Ouvi um palestrante fazer a seguinte pergunta à plateia: “Que diferenças e que convergências vocês acham que existem entre os consumidores de Santa Felicidade e os consumidores do Bairro Novo?” Seguiu-se um debate interessante que, ao final, levou todos a concluírem que a simples falta de concordância entre todos era a prova de que a população de Curitiba é mais complexa do que a possibilidade de defini-la com um rótulo só. Essa é, para mim, a grande questão: não existe uma Curitiba; existem várias Curitibas. A imensa diversidade de raça, origem, usos, costumes, estilos e expressão cultural é o que faz da capital do Paraná uma cidade admirável e forma, hoje, o palco para o orgulho dos seus habitantes.
José Pio Martins, economista e vice-reitor da Universidade Positivo.
Produtos tecnológicos ganharam mais espaço na vida das pessoas que moram na Grande Curitiba
26/03/2009 | 00:30 | Vivian de Albuquerque
Na Grande Curitiba, computadores, internet e televisores de plasma são sonhos de consumo, revelando que a tecnologia ganhou mais espaço na vida das pessoas. É o que comprova a pesquisa da Gazeta do Povo que, no quesito compra de bens de consumo, revelou dados interessantes, como o fato de que 21% dos que não têm tevê de plasma pretendem adquirir uma nos próximos 12 meses. Os dados mostram também que 60% dos entrevistados não têm computador, mas que um quarto deles quer comprá-lo. Outro bem ainda muito desejado é o micro-ondas: 31% pretendem adquiri-lo. A pesquisa também apontou que 41% dos entrevistados não têm telefone fixo e que 25% deles pretendem comprar uma linha.
Para o professor de Macroeconomia e Cenários da Universidade Positivo (UP), Wilhelm Meiners, a busca pelo consumo de produtos ligados à tecnologia é reflexo da era da informação. “Estamos vivendo um tempo em que a tevê, o DVD, o telefone, o computador e o videogame dominam as esferas produtivas, comerciais e de consumo”, comenta. “Um tempo no qual os serviços de comunicação e informação inteligentes estão em primeiro lugar na pauta de consumo. Muito mais do que uma questão de lazer, trata-se de um novo paradigma tecnológico e de inserção social”, explica Meiners.
“Tenho tevê de plasma, computador, notebook, palmtop, GPS e todos esses gadgets tecnológicos”, revela o engenheiro Leandro Muller . “Se as pessoas estão se dispondo a gastar mais com lazer tecnológico do que com bens de redução de trabalho – como máquina de lavar e aspirador – elas estão sendo lógicas. Uma máquina de lavar louça poderia economizar meia hora de trabalho de uma pessoa em um dia, mas uma boa tevê proporciona muitas horas de lazer e prazer por dia, e para várias pessoas da família ao mesmo tempo”, diz Muller.
Para a professora do Núcleo de Psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Maria Virgínia Cremasco, a sociedade vivencia, com o avanço globalizado do consumo e com a “tecnologização”da economia, a priorização do imediato, ou seja, como tudo faz parte da vertiginosa corrida contra o tempo, o prazer também passou a ser visto como algo a ser alcançado imediatamente. “Saímos dos paradigmas antigos que moralizavam e valorizavam o trabalho árduo, visando a um futuro promissor e seguro que significava, a longo prazo, segurança financeira para a aposentadoria”. Segundo ela, lemas como “primeiro a obrigação, depois a diversão”, que moralizavam e glorificavam racional e obsessivamente a força de trabalho e os deveres acima de tudo, foram sofrendo uma fluidez, ou seja, “menos trabalho, mais dinheiro e consequentemente, mais diversão.”
Shopping x rua
Com uma ampla rede de comércio, a Grande Curitiba oferece muitas possibilidades para o consumo, mas o que revela a pesquisa da é que a maioria das pessoas (58%), mesmo tendo de tudo perto de casa, ainda prefere o centro da capital para fazer suas compras. Esta preferência é sentida principalmente entre os entrevistados das classes C, D e E.
Os quesitos preço e marca são os indicados pela dona de casa Alda Nunes Rosa para fazer compras no centro de Curitiba. Moradora de São José dos Pinhais, ela conta que os produtos são mais caros onde mora. “Em Curitiba vejo os mesmos produtos pela metade do preço. Mesmo quando morávamos no Boqueirão (bairro de Curitiba), comprava roupas e sapatos mais em conta nas lojas do centro.”
Opinião e comportamento de consumo compartilhados por Jadna Dutra Ferraz, proprietária de um pequeno salão de beleza em um bairro da capital. “Às vezes até compro por aqui. Mas roupas e calçados gosto de comprar em lojas de departamento que possuem cartão próprio, no centro de Curitiba. Raramente vou aos shoppings e como não possuo cartão de banco nem cheques, fica mais fácil comprar nessas lojas”. Segundo a Associação Comercial do Paraná, 150 mil pessoas circulam diariamente pelo centro de Curitiba, de acordo com levantamento de meados de 2008.
A pesquisa da Gazeta do Povo revela o perfil dos compradores em shoppings. São jovens (17% dos entrevistados), como a publicitária Karina Kranz Sabbag. Aos 25 anos, é experiente nas compras em shoppings, que faz desde a adolescência. Ainda cultiva o hábito principalmente por causa do mix de lojas. “Não tenho tempo de passear pela Rua XV às três horas da tarde em um dia de semana, mas posso ir ao shopping às nove da noite.”
Almoçar fora é hábito presente nas famílias da Grande Curitiba, principalmente nos finais de semana
26/03/2009 | 00:24
O hábito de almoçar fora de casa está mais presente nas famílias da Grande Curitiba. Segundo a pesquisa, 37% almoçam fora durante a semana. Porém, almoçar fora não quer dizer, necessariamente, almoçar em restaurantes. Daqueles que comem fora, 36% o fazem durante a semana na casa da família, amigos e mesmo vizinhos, chegando a 71% no sábado e no domingo.
Moradora do bairro Água Verde, a família da pedagoga Dagmar Pocrifka é um exemplo da adaptação à nova realidade. Almoçar longe de casa durante a semana é a rotina de Dagmar, que se reúne com a mãe e o irmão para o almoço em família apenas nos fins de semana.“Trabalho o dia todo e almoço no trabalho mesmo ou em restaurantes a quilo nas proximidades. No sábado e domingo ficamos juntos, em casa, com comida comprada fora”, explica Dagmar. Já para a família da fisioterapeuta Vanessa Uemura, moradora do bairro Cabral, o almoço fora nos fins de semana – em restaurantes ou na casa da sogra – serve como um descanso da rotina. Durante toda a semana, a família – Vanessa, o marido e os dois filhos pequenos, têm uma rotina bastante corrida e raramente conseguem fazer as refeições juntos. “Nos fins de semana sempre procuramos comer fora em algum restaurante que tenha espaço para as crianças”, conta Vanessa.
Brincar com as crianças é a atividade preferida dos que têm filho; para os demais, ouvir música é a melhor opção
26/03/2009 | 00:23 | Vivian de Albuquerque
A pesquisa da Gazeta mostrou uma nítida diferença entre os moradores da Grande Curitiba que têm filhos e os que não têm, quando o tema é o que fazem quando não estão trabalhando. Dos 1.168 entrevistados que têm filhos até 9 anos e que moram com eles, 71% informam que a primeira opção de atividade é brincar com as crianças da casa. Ao mesmo tempo, para toda a base de pesquisados – 3.780 pessoas – a primeira atividade é ouvir música, também com um índice de 71%. Seguindo nas preferências de atividades, estão as relacionadas à casa: 66% dizem ir ao supermercado, não apenas como uma obrigação doméstica, mas também como uma forma de lazer familiar.
O representante comercial, morador do bairro Vista Alegre, Maurício Rutz, se encaixa nas estatísticas. Ele, a esposa e as duas filhas, de 9 e 11 anos, aproveitam os fins de semana para aliar atividades de lazer, como andar de bicicleta, com afazeres da casa. “É nos fins de semana que temos tempo para ficar em casa ‘dando uma geral’. Lavamos o carro e as meninas aproveitam para tomar banho de mangueira”. Tudo isso, conta Rutz, sempre acompanhado de uma boa música.”
O costume de ir à igreja
Ainda como atividade frequente dos moradores da Grande Curitiba está o costume de ir à igreja: 38%.
Porém, 41% considera-se praticante. Os que costumam ir com mais frequência são os protestantes, com um índice de 63%, seguidos dos evangélicos/crentes, com 61%, e dos católicos, com a margem de 32%.
Ainda segundo a pesquisa, 39% dos entrevistados vão à igreja de vez em quando e 19% nunca vão.
Do total de pessoas ouvidas na pesquisa, 62% são católicos, 20% evangélicos/crentes e 7% agnósticos – sem religião. Dados referentes apenas a Curitiba, comparados com a pesquisa realizada pela Gazeta no ano 2000, mostram uma queda na proporção de católicos: de 71% (2000) para 62% (2008), enquanto os evangélicos passaram de 16% (2000) para 20% em 2008.
A diversão para a família Rutz não para por aí: faz parte da programação do fim de semana, uma ida ao supermercado para comprar quitutes. “Quando tem sol no fim de semana, sempre temos um churrasco ou uma comidinha diferente, pois adoro cozinhar”, garante o representante comercial.
Nova rotina
Professora no ensino fundamental, Eliane Sanchez, mora no Cajuru e, durante toda a semana, seu marido levanta cedo para o trabalho. Enquanto isso, ela cuida do filho de apenas cinco meses, aproveitando o período da licença-maternidade. A parte da tarde é reservada para pequenos passeios com o bebê. “Antes de termos o Rafael, eu e meu marido já saíamos pouco à noite. Agora, então, curtimos ainda mais ficar em casa, recebendo amigos e ouvindo música. Nos fins de semana, tentamos manter uma paixão que é ir para a praia e ficar pertinho do mar. Com a chegada do Rafael, decidimos construir uma casa em Pontal do Sul. Levamos o bebê para lá quase todos os fins de semana, deixando que ele faça parte do que mais gostamos.”
Música e mais música
Conhecido muito além de Curitiba, o DJ Monnk, Ricardo Pereira, 32 anos, está mais do que dentro das estatísticas da pesquisa, que diz que a maior parte dos moradores da Grande Curitiba ouve música quando não está trabalhando. Ricardo ouve música o dia inteiro, muito mais do que pede a sua profissão. “Só não escuto quando estou dormindo, e isso quando não sonho com alguma trilha sonora”, brinca. “A música é a trilha sonora da vida e a maioria dos meus amigos também é da área. Gosto de música lounge para tomar um vinho e comer uma boa comida. Como adoro cozinhar, chamo sempre os amigos para me acompanhar e a maior parte dos encontros acaba sendo aqui no estúdio mesmo”, revela.
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